Cristianismo: o grande plágio da história
- 7 de jan.
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"Um estudo comparado com dados e referências bibliográficas de diversas pesquisas reconhecidas em comunidades acadêmicas que analisam o sincretismo ao longo dos séculos até o surgimento do cristianismo"
É de conhecimento público que existe o ocultamento religiosos de alguns livros, considerados apócrifos (do grego apokryphos = escondido/oculto, considerado religioso, porém, não espiritual ou com doutrina divergente, portanto, herético), a igreja dividiu os documentos considerados sagrados em dois tipos: os apócrifos e os canônicos (do grego kanón: régua/medida, interpretado como "inspirado por deus e autorizado, portanto, para leitura dogmática religiosa).
Inicialmente os apócrifos eram tipos como reservados, apenas com o passar do tempo passou a ser considerado não confiável.
O antigo testamento hebraico foi consolidado entre os séculos IV a.C. e I d.C., os judeus palestinos adotaram o cânon restrito e os da diáspora utilizavam textos gregos como o de Tobias, por exemplo. Posteriormente, no Concílio de Jâmnia, por volta de 90 d.C., o cânon hebraico foi defino e passaram a rejeitar os textos que não foram escritos originalmente em hebraico, o que criou a distinção entre os livros canônicos e os apócrifos.
O cristianismo surge na Palestina, sob domínio do Império Romano, por volta do século I, Belém, na Judeia, e durante os primeiros séculos circulavam os textos que se dividiam entre cartas, atos, apocalipses, evangelhos, dentre outros. Para definir o que seria canônico os cristãos se apoiaram na apostolicidade (escrito por algum apóstolo), uso litúrgico, universalidade (aceito pela comunidade). Com o Concílio de Cartago, em 397 d.C., e o de Trento, em 1546, aconteceu a definição dos setenta e três livros canônicos da Bíblia Católica através dos documentos eclesiásticos, dentre eles cartas papais, concílios, tratados, anais, dentre outros.
Portanto, os livros excluídos ficaram divididos da seguinte forma:
Apócrifos do Antigo Testamento
Livro de Enoque (1 Enoque)
Livro dos Jubileus
Livro dos Segredos de Enoque (2 Enoque)
Testamento dos Doze Patriarcas
Oração de Manassés
Salmos de Salomão
Ascensão de Isaías
Apocalipse de Baruc (2 Baruc)
3 Baruc
4 Esdras (também chamado de 2 Esdras)
5 Esdras
6 Esdras
Livro de Adão e Eva
Vida de Adão e Eva
Apocalipse de Adão
Livro dos Gigantes
História de Ahikar
Testamento de Abraão
Testamento de Isaac
Testamento de Jacó
Testamento de Moisés
Testamento de Salomão
Apócrifos do Novo Testamento
Evangelho de Tomé
Evangelho de Maria Madalena
Evangelho de Filipe
Evangelho dos Hebreus
Evangelho dos Egípcios
Evangelho de Pedro
Evangelho de Nicodemos (Atos de Pilatos)
Evangelho da Verdade
Evangelho de Bartolomeu
Evangelho de Judas
Protoevangelho de Tiago
Evangelho Árabe da Infância
Evangelho Armênio da Infância
Evangelho do Pseudo-Mateus
Evangelho de Gamaliel
Atos de João
Atos de Pedro
Atos de Paulo
Atos de Tomé
Atos de André
Atos de Filipe
Atos de Barnabé
Atos de Pilatos
Apocalipse de Pedro
Apocalipse de Paulo
Apocalipse de Tomé
Apocalipse de Tiago
Apocalipse de Estêvão
Epístola dos Apóstolos
Epístola de Barnabé
Correspondência entre Paulo e Sêneca
O Pastor de Hermas
Didachê (Doutrina dos Doze Apóstolos)
3 Coríntios
ALÉM DOS LIVROS SAGRADOS
A defesa de compras de terras e criação de escolas agrícolas, incluindo a criação de uma milícia para garantia de recolonização judaica da "Terra de Israel", aconteceu em 1862, através de Zvi Kalischer (rabino ortodoxo alemão), antecedendo o movimento sionista* e a proposta de Theodor Herzl, que aconteceu em 1896, através do livro Der Judenstaat (O Estado Judeu), onde sugeriu a fundação de um Estado judeu, a princípio indicando a Argentina como local ideal, alterando para a Palestina e deixando claro que seria necessário o apoio político internacional.
*Para quem não sabe, sionismo é a ideologia e movimento político nacionalista que tem como objetivo a autodeterminação dos judeus e o estabelecimento de um estado judeu.
As primeiras levas de judeus ocupando a Palestina iniciou no Império Otomano, iniciando com compras legalizadas de terras - terras essas de grandes proprietários ausentes (registradas em nome de latifundiários que não habitavam e nem cultivavam o solo, terras controladas pela elite - incluindo estrangeira, e trabalhada por camponeses locais, os fellahin, que já viviam nela há gerações e não receberam título na terra). Nesse início não houve grandes conflitos diretos, apenas desconfiança do aumento da imigração judaica. A tensão aumentou verdadeiramente após a Primeira Guerra Mundial, quando a Grã-Bretanha assumiu o controle da Palestina e emitiu a declaração Declaração de Balfour revelou o apoio britânico para a construção de um lar nacional judeu na Palestina, fazendo com que os palestinos enxergassem a colonização estrangeira, dando início a Revolta Árabe entre 1936–1939.
A ONU, em 1947, propôs que acontecesse a divisão da Palestina em dois estados: um árabe e um judeu, os judeus prontamente aceitaram, mas os árabes - por obviedade, rejeitaram. No dia 14 de maio de 1948, Israel declarou independência, dando início a Guerra Árabe-Israelense que foi seguida de invasões em países árabes e instaurou o ciclo de violência que se estende a atualidade. A Nakba (catástrofe) expulsou e fez com que fugissem cerca de 750 mil palestinos, consequentemente Israel venceu a guerra e ampliou seu território muito além do proposto pela ONU, caracterizando Israel como invasor.
DESFUNDAMENTAÇÃO TEOLÓGICA
Para iniciar a compreensão dessa temática precisamos rever dados arqueológicos e históricos em evidências científicas. E como primeira confirmação, a ciência não confirma que Abraão teria vindo de Ur¹, tão pouco a história do Êxodo ou a conquista de Canaã forme descritos na mitologia bíblica; na verdade os fatos, segundo Neil Asher Silberman e Israel Finkelstein, apontam que não há nenhuma evidência de uma migração em massa do Egito, que as cidades que supostamente teriam sido destruídas durante a conquista de Canaã já estava em ruínas há muito tempo da data que é narrada. Outro detalhe, a ciência revela que o povo israelita surge dentro da própria cidade (Canaã) em 1200 a.C. e que eram camponeses que se distanciavam da elite urbana.
¹O termo caldeus surge no século nove 9 a.C., muitíssimo tempo depois da época de Abraão, que seria entre 2000 a.C. e 1800 a.C.

O nome Israel surgiu no Egito em 1207 a.C. na Estela de Merneptah, foi encontrada em Tebas Ocidental, nas ruínas do templo funerário de Merneptá (Faraó - 1213 e 1203 a.C.), esse é um dos únicos documentos do Antigo Egito que menciona o nome de Israel para se referir aos israelitas. Ela pertenceu a Amenófis III (Faraó - 1389–1351 a.C.) que fez gravuras narrando a construção de diversos templos em honraria a Amon-Rá, posteriormente foi aproveitada por Merneptá, no 5º ano, que esculpiu a sua própria imagem e a imagem do mesmo deus, com vinte oito linhas de um poema hieroglífico e sua vitória sobre os líbios que tinham invadido o Egito que diz "Os chefes inimigos prostram dizendo Salom (haja paz), nenhum levanta a cabeça entre os nove arcos, Tjneu (líbios) está derrotado, Hati (hititas da palestina) está em paz, Canaã está despojada de toda a maldade, Ascalão foi conquistada, Gezer foi tomada, Lenoão (região de Canaã) ficou como se não tivesse existido, Israel está devastada e a sua semente não existe mais, Síria tornou viúva para o Egito (...)"

Os primeiros camponeses eram politeístas, o culto era centrado em El, Baal, Asherah consorte de Yahweh. Muito, mas muito, depois que o monoteísmo começou a fazer parte de uma transição reformista e política em passos lentos, uma vez que a estratégia principal era criar um deus único para a centralização, com isso houve uma unificação do culto de Yahweh no reinado de Josias, o intuito era fortalecer Jerusalém como centro teocrático de Judá, com o avanço da reforma política altares e locais foram eliminados e destruídos e outras divindades proibidas.
Acerca de 586 a.C., o templo foi destruído e com o exílio babilônico os israelitas foram forçados a reinterpretar a própria teologia, então os sacerdotes em exílio - conhecidos como redatores P e E - criaram os textos narrando um deus único, transcendente e dotado de ética, logo se consolida o monoteísmo no retorno do exílio sob influência do zoroastrismo (persa) entre os séculos V e III a.C.
Muito antes disso tudo acontecer, antes da existência da Torá, muitos povos já viviam em sistemas religiosos bem estabelecidos e fundamentados, o que é conhecido hoje como monoteísmo hebreu surgiu do caldeirão cultural desses povos e dos nômades do deserto.
Os sumérios, por exemplo, que viveram entre c. 3000–1900 a.C., é a civilização mais antiga já documentada, entre o culto os deuses eram antropomórficos como Enilil, relacionado ao ar, Enki, relacionada a sabedoria, Utu, relacionado ao sol, Inanna, relacionada a guerra e ao amor; as cidades-estados eram teocráticas e patrimônio de um deus.
Os babilônicos (akkad), que viveram entre c. 2300–539 a.C., herdaram os deuses sumérios e os sincretizaram, o Enumma Elish, cosmologia desse povo, descreve que Marduk criou o mundo a partir do corpo de Tiamat (caos primordial).
Os egípcios antigos, do período c. 3100–332 a.C., cultuavam outros deuses, esses já relacionados aos ciclos cósmicos e agrários, com práticas funerárias voltadas para a vida no pós morte. Eles chegaram a experimentar o monoteísmo de Aton no reinado de Akhenaton - que se encerrou com a morte do mesmo.
Os cananeus, entre c. 1800–1200 a.C., e os proto-israelitas (antepassados dos israelitas) basearam a cidade em um mosaico de cidades-estado em culto a Elm, Baal, Asherah e o panteão levava a sério o título de deus pai e criador dos demais deuses - conceito absorvido para o deus de Israel.
Na fase do henoteísmo tribal (crença em um deus único, sem negar os outros existentes) Abraão² carrega consigo influências do local de nascimento e El Shaddai (Deus de Abraão, Isaque e Jacó) teria se apresentado como protetor daquela tribo, dessa forma sacrifícios, alianças de sangue e circuncisão são práticas comuns da região que são absorvidas, dessa forma Yahweh surge como divindade guerreira e tribal do sul.
²A teoria científica aponta que Ur mencionada na mitologia bíblica pode ser a cidade de Urfa, atual Turquia, os dados apontam para uma existência tribal ou até mesmo mítica, uma vez que o nome significa "pai exaltado", logo há a possibilidade de ser uma representação nômade semítica e tragetória ser apenas os movimentos migratórios das tribos semitas durante o 2º milênio a.C.
Em seguida tem início do monolatrismo, entre c. 1200–900 a.C., iniciam-se as disputadas dos cultos dos deuses primordias que passam a ser denunciados pelos então profetas, até que Yahweh absorve mitologicamente os atributos de El e passa a ser considerado uma fusão entre deus criador e deus guerreiro.
A consolidação do monoteísmo ocorre entre c. 900–500 a.C. na monarquia de Davi e de Salomão, quando o culto é centralizado em Jerusalém e o templo substitui todos altares tribais e se torna nacional. Nesse período nascem os primeiros textos da Torá suprimindo e ressignificando os resquícios dos deuses e cultos anteriores com a remoção das figuras femininas, como Ashera que passa a ser proibida, e dos deuses "concorrentes"; houve oposição, como Isaías e Elias³ que contestaram os sincretismos.
³Partindo do princípio da ciência fisiológica, no Oriente Médio, onde Elias e Isaías viveram, possui típico clima desértico com altas temperaturas durante o dia, ar extremamente seco e escassez de água, considerando esses fatores, é sabido que uma desidratação severa pode causar alucinações, insolação e até mesmo hipertermia, como o jejum era uma prática rigorosa essa prática pode causar hipoglicemia que por sua vez também causa cetose - que altera o funcionamento do cérebro, além de deficiências vitamínicas, como as do complexo B, estão diretamente ligadas a psicoses. O TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) também é comum com vivências emocionais extremas como ameaças de morte, risco, isolamento, o que pode provocar dissociações transitórias. A epilepsia do lobo temporal causa estados visionários com audição de vozes, sem contar que a gnose também estimula o transe, bem como a quimiognose - prática comum na época, considerando que os semitas antigos conheciam as plantas de poder (inclusive a experiência de carvão ardente de Isaías pode ser sido uma experiência química [os estudos apontam que o uso de cannabis de forma ritualística em Tel Arad (700 a.C.) é espessamente comprovada, a erva era queimada em altares, utilizada para conexão espiritual e possivelmente está descrita como qěnēh-bośem (Êxodo 30:23: "Toma das principais especiarias: mirra fluida, cinamomo, cálamo aromático (qěnēh-bośem) e cássia..."). Antes disso, há c. 2000 a.C., a maconha já era utilizada por acadianos e sumerianos, além dos persas há c. 1000 a.C.
Sob influência do zoroastrismo persa, entre c. 539–330 a.C., que tinha uma religião dualista com um único deus criador, Ahura Mazda, surge a ideia de Satanás, do julgamento final, da ressurreição, de anjos, além dos princípios escatológicos (fim dos tempos).
TEORIAS PRIMÁRIAS - Comparativo Mitológico
No grande dilúvio universal, deus teria criado o mundo em seis dias e descansado metaforicamente no sétimo, a criação teria sido ordenada por meio do comando divino "haja luz", aqui já encontramos paralelos com outros mitos:
•Babilônia (Enuma Elish): Marduk cria o mundo a partir do corpo da deusa Tiamat após derrotá-la e então a ordem surge após o caos primordial.
•Índia (Rig Veda): o universo surge a partir da expansão cósmica e sacrifício primordial de Purusha.
•Egito: Atum cria o universo a partir do nada através do pensamento e do verbo.
•Grécia: o cosmo nasce do Caos, logo após Gaia (terra), Urano (céu) e os demais elementos primordiais.
Ainda no primeiro livro bíblico, Adão e Eva foram criados e tentados pela serpente até comerem do fruto proibido, o que provoca a expulsão do paraíso (Éden), em outros mitos:
•Grécia: Pandora abre a caixa proibida por curiosidade e liberta o mal no mundo.
•Egito: Ísis engana Rá para descobrir o seu nome secreto, que é símbolo do conhecimento oculto.
•Suméria: Enki e Ninhursag vivem no jardim sagrado, Dilmun, com árvores da vida e sabedoria. Enki come plantas sagradas desequilibrando a ordem, então adoece e Ninhursag para curá-lo cria deuses curadores.
No livro Caim mata o irmão Abel cometendo o primeiro assassinato por inveja, em outros mitos:
•Egito: Set mata o irmão Osíris por inveja e desejo de poder.
•Índia: no hinduísmo, nas guerras entre devas e asuras em repetidas vezes irmãos e parentes se enfrentam por poder.
•Povo nórdico: Loki mata Baldur, filho de Odin, por ciúmes.
Prosseguindo nos capítulos de Gênesis, deus teria destruído a humanidade com o dilúvio, mas salvado Noé, sua família e os animais na arca que permaneceram na arca por 1 ano e 10 dias com os alimentos pré-armazenados, nos mitos:
•Babilônia (Epopeia de Gilgamesh): Utnapishtim sobreviveu em uma arca a um dilúvio dos deuses.
•Índia: Manu foi avisado por um avatar de Vishnu para que construísse uma arca para sobreviver ao dilúvio.
•Grécia: Pirra e Deucalião sobreviveram ao dilúvio de Zeus.
A famosa Torre de Babel teria sido construída para alcançar o céu e com esse feito deus castiga os povos confundindo as línguas e dispersando as pessoas, nos mitos:
•Suméria: a Etemenanki (zigurate de Babilônia) servia ao propósito simbólico de ligação axis mundi (céu e terra).
•Grécia: Prometeu tenta levar o fogo aos homens e é punido pelos deuses.
•Índia: o conceito de maya (ilusão) provoca a separação entre os devas e humanos pela arrogância desses.
Na nova aliança com deus Abraão recebeu a promessa de ser pai de uma grande nação¹, nos mitos:
•Índia: os rishis védicos foram escolhidos como os receptores da shruti (revelação eterna).
•Egito: os faraós eram os intermediários e receptores das promessas cósmicas.
•Pérsia: Zaratustra foi eleito como renovador da fé e guia dos justos em Ahura Mazda.
¹É sabido historicamente que a dita promessa à Abraão deu origem aos conflitos existentes no Oriente Médio. Na bíblia, mas precisamente em Gênesis dos capítulos 16 ao 21 , Abraão é considerado o pai dos ismaelitas, ancestrais dos árabes, e então recebe a promessa de fazer Ismael uma grande nação (Gênesis 17;20). Na pressa do cumprimento da promessa, a esposa de Abraão, Sara, oferece sua escrava Agar como concubina e dessa relação nasce Ismael, que o deus deles havia dito que abençoaria e o tornaria pai de uma grande nação, mas que o fruto da promessa viria com a esposa, então nasce Isaque, o segundo filho, Isaque (chamado Jacó posteriormente). Abraão ainda tem filhos com Quetura após a morte da esposa e dessa união nascem seis filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá - considerados ancestrais de semitas e midianitas. Entende-se que as reivindicações territorias está na divisão entre os filhos considerados como "legítimo" (filho da promessa) e "bastardo" (filho da escrava), logo, nos dias atuais, judeus e islâmicos.
A história de que José teria sido vendido pelos os irmãos e teria se tornado posteriormente governador do Egito para salvar sua família da fome, no simbolismo de exílio e redenção (caminho do herói) com provações e quedas até a ascensão também se esbarra em outros mitos:
•Egito: Osíris é traído e enviado ao mundo inferior pelo próprio irmão, tendo suprimido a dor e voltado ao seu posto.
•Grécia: Perseu enfrenta adversidades diversas até alcançar a elevação e posições de poder.
Em Êxodo, na passagem e liderança de Moises do povo hebreu na partida do Egito, na travessia do Mar Vermelho e no recebimento de novos sinais.
Se tratando de uma longa passagem e com diversos eventos, essa análise exige um extenso comparativo. Iniciamos com o hinduísmo onde Rama liderou o povo em travessias épocas no combate de forças malignas, Jasão e os Argonautas na busca do velo de ouro também enfrentou os mares e monstros.
No mesmo livro, no capítulo 14; 21 - 22, a bíblia afirma que "Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor afastou o mar com um forte vento oriental, que soprou toda aquela noite, e fez com que o mar se tornasse terra seca, e as águas se dividiram", cientificamente não há comprovações disso. O que acontece é o chamado "wind setdown", que nada mais que um vento de recuo que acontece em correntes fortes que empurram a água de uma lagoa ou baía para longe e expõe temporariamente o fundo, esses eventos precisam chegar a 100km/h no mínimo e durar entre dez ou doze horas para que um leito raso seja exposto em 3km de largura. A tradução original fala sobre Yam Suph, que é um mar de juncos, relacionado aos pântanos do Egito, como o Lago de Tanis, por exemplo, logo, o veredito científico aponta que é improvável e impossível tal acontecimento.
E não há evidências arqueológicas que um dia os hebreus foram escravos massivos no Egito.
Claro que esse conto também se esbarra na mitologia anterior:
•Egito: Ra atravessa todas as noites as águas do submundo para enfrentar Apep - 2000 a.C.
•Babilônia: Marduk venceu Tiamat e dividiu seu corpo em duas partes - 1750 a.C.
•Síria: Ba'al Hadad dividiu o mar durante um combate com Yam, onde o derrota - c. 1300–1200 a.C.
O Antigo Egito era extremamente burocrático e absolutamente tudo era registrado, até os menores acontecimentos, e não há papiros ou estelas, ou qualquer inscrição que sequer mencione escravizados ou fuga de hebreus, nenhum tipo de praga sobrenatural ou ainda mortes em massa ou perdas militares.
A bíblia conta que cerca de 600 mil homens (sem contar mulheres e crianças) teriam vagado durante quarenta anos no deserto de Sinai, o que teria equivalência com mais de dois milhões de pessoas, diversas pesquisas e investigações arqueológicas foram feitas e são muitas décadas de escavações que comprovaram não haver nenhum vestígio dessa presença no deserto, nem de resíduos, sem cemitérios, tão pouco acampamentos.
De forma logística, é impossível que milhões de pessoas tenham vivido sem infraestrutura como água e comida, ainda que com supostos milagres, como rochas que soltavam água ou o maná do céu, por falar nele, a ciência explica que algumas árvores como o tamarisco, presente na península do Sinai, produz uma secreção açucarada quando são parasitadas por inseto e, caso ocorra, é comestível uma vez que é rica em carboidrato e pode ser transformada em massa, no entanto a quantidade é extremamente pequena e limitada. Há também algas microscópicas que se foram no solo após raríssimas chuvas, além de líquens e cogumelos, mas também em irrisória quantidade, e esse fato se esbarra em outros mitos:
•Suméria: Enki e Ninhursag concede alimentos celestes a humanidade como provisão e bênção.
•Egito: os deuses alimentam os mortos com pão, vinho e mel celestiais. Inclusive em rituais de Osíris se oferenda pão como simbolismo de renascimento.
•Índia: a soma extraída da planta divina era ofertada aos humanos, mesma bebida consumida pelas divindades.
Alguns teóricos apontam que Moisés pode ser apenas uma figura inspirada nos elementos egípcios e inventado no período de reavaliação de origens, uma vez que o nome significa "filho de". Inclusive a história de que ele teria sido colocado no cesto em um rio é muito similar a história de Sargão da Acádia que teve o mesmo destino de ser tornar líder após ser abandonado em um rio.
A nova lei e os dez mandamentos é totalmente similar ao Livro dos Mortos do Egito, aos gathas do zoroastrismos que ditam regras morais e julgamentos para as almas e ao conceito do dharma hindu, sendo mais precisamente igual ao Livro dos Mortos.
Os grandes profetas e heróis como Samuel, Saul, Davi, Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel também são parecidos com os reis que eram sacerdotes que mantinham contato com os deuses, como os mesopotâmicos, os profetas nórdicos como Völva anunciam o Ragnarök, como os oráculos de Delfos que guiavam as cidades, a população e o reis com as mensagens divinas.
O exílio e a promessa de retorno descrita em Reis, também se esbarra com o zoroastrismo no conceito de era escura e renascimento Saoshyant (messiânico), ao conceito Asteca e Maia de destruição para a recriação através de catástrofes, as yugas hinduístas que marcam queda e regeneração cíclica.
Sobre os grandes feitos de Davi, que enfrenta e derrota Golias com uma pedra também está em mitologias:
•Grécia: Perseu derrota Medusa utilizando ferramentas simples e astúcia.
•Índia: Krishna, quando criança, venceu os demônios e os gigantes.
A sabedoria de Salomão, sua posse de rei, a construção de um templo, descrição da literatura sapiencial, se encontra nos mitos, principalmente no mito grego onde Minos, o rei, se torna juiz devido a sua justiça intrínseca, inclusive se torna um dos juízes de Hades após morrer.
O sofrimento de Jó quando é testado por Satanás após uma permissão divina e ainda depois desse feito mantém sua fé, é muito próximo ao mito hindu onde o rei Harishchandra perde tudo no propósito para manter a verdade, se tornando um exemplo de dharma, assim como Prometeu, da Grécia, sofre por ajudar os humanos e é punido pelos deuses com o tormento eterno.
Os poemas e orações de Salmos que invocam súplicas, devoção, sabedoria, dentre outros, podem ter sido inspirados em outros historicamente reais e anteriores, como:
•Hinos Órficos (600 a.C.): cânticos gregos aos deuses.
•Hinos Védicos (1500 a.C.): louvores indianos aos deuses naturais (Indra, Varuna e Agni) com súplicas e agradecimentos diversos.
•Hinos a Aton (1350 a.C.): textos egípcios de exaltação com agradecimentos e reverências.
Considerada a coleção máxima tanto de sabedorias espirituais quanto de condutas, o livro de Provérbios pode ter se baseado em outros anteriores:
•Tao Te Ching (600 a.C.): descreve os aforismos do Tao (caminho) em busca de virtude e equilíbrio.
•Avestá (1000–600 a.C.): textos do zoroastrismos que conduz sabedorias, conduta e ética de vida.
•Instrução de Ptahhotep (2400 a.C.): textos egípcios com conselhos morais e de vida.
E fechamos o Velho Testamento comparando as mitologias com o livro Cantares, ou Cânticos de Salomão, o livro do amor lírico, conceito de sagrado erótico que tem paralelo com as mitologias:
•Sumérica: Inana e Dumuzi e o grande amor sagrado representando renovação e fertilidade.
•Hinduísta: Krishna e Radha vivem o amor de união mística e êxtase espiritual.
Tabela de datas:
Tradição | Evento ou mito | Data aproximada |
Antigo Testamento (Israel) | Criação até Exílio | 1200–500 a.C. |
Mitologia Suméria | Criação, Dilúvio, Inanna e Dumuzi | 2600–1700 a.C. |
Egito Antigo | Textos de Sabedoria, Hinos, Mitos | 2400–1000 a.C. |
Mitologia Hindu (Vedas) | Criação, Dilúvio, Krishna | 1500–500 a.C. |
Mitologia Grega | Criação, Prometeu, Heróis | 1200–300 a.C. |
Mitologia Persa (Zoroastro) | Criação, Dualismo, Juízo Final | 1000–600 a.C. |
Mitologia Nórdica | Gigantes, Loki, Thor, Juízo final | 800–1100 d.C. (mas base oral anterior) |
Tradição Chinesa (Taoísmo) | Tao Te Ching, mitos da criação | c. 600 a.C. |
Novo Testamento - Jesus e os Milagres e os Profetas
As únicas fontes sobre a existência de Jesus são os textos dos evangelhos e os textos paulinos, sem dados bibliográficos, para compreender esses dados vamos estudar Paulo. O que se sabe de Paulo são as próprias cartas que ele escreveu, isso tem valor científico uma vez que historiadores reconheceram a autenticidade de sete delas: Romanos, os dois livros de Coríntios, Gálatas, Filipenses, o primeiro livro de Tessalonicenses e Filemom, os estudos apontam que de fato esses escritos são de um homem chamado Paulo, que esse era um judeu do século I devido as referências pessoais, como viagens e prisões, comunidades reais, como Éfeso e Corinto, e os problemas sociais comuns na sociedade primitiva. Não há provas arqueológicas da sua existência, mas há consenso sobre sua existência.
Paulo teria nascido em Tarso, província da Cilicia, no sudeste da atual Turquia, já era um centro acadêmico, ele era cidadão romano e tinha direitos legais especiais, teria recebido formação helenista e judaica, sendo versado na Torá e familiarizado com a filosofia estoica greco-romana, nos seus escritos podemos observar o uso de dialética, lógica aristotélica e linguagem jurídica romana. Ele teria sido de fato um fariseu e perseguidor dos cristãos e teria se convertido após uma experiência pessoal na travessia de Damasco, na Síria, passando então ser um fervoroso pregador do que hoje se conhece como cristianismo para os gentios (não judeus). Na sua pena de morte foi tratado como romano, sendo decapitado e não crucificado.
São os escritos de Paulo que mencionam que Jesus foi crucificado, mas os escritos datam 50–60 d.C. não relatam dados biográficos, o fato é que a crucificação era uma prática comum do Império Romano como formar de humilhação e era destinada a criminosos perigosos, escravos e rebeldes. Jesus pode ter sido um pregador judeu apocalíptico do século I, e considerado um rebelde, embora fosse um homem comum, como historiadores evidenciaram que um pregador chamado Yeshua ben Yosef de fato existiu e foi crucificado e após isso alguns dos seus seguidores o interpretaram como um messias.
As evidências também apontam que houve uma similaridade em junção de mitos de nascimento divino, milagres, morte e ressurreição na construção de um personagem messiânico, principalmente no contexto helenístico. A região da Galileia abrigava uma legião de rebeldes messiânicos, taumaturgos e pregadores, o que aponta Jesus como um entre centenas de outros. Uma figura como ele era necessária como resposta as frustrações políticas para restaurar a justiça e a independência, uma vez que no período do Segundo Templo haviam ocupações estrangeiras, conflitos diversos e muita opressão econômica.
Os grandes milagres narrados biblicamente estão nas esferas de mitos antigos, importante ressaltar que esses povos se comunicavam comercialmente com significativa frequência e expansão territorial:
Milagres de Jesus | Descrição | Paralelos em Outras Tradições |
Transformar água em vinho | Primeiro milagre em Caná (Jo 2:1-11) | Dionísio (Grécia): transformava água em vinho; deus do vinho e êxtase. Krishna: também associado ao encantamento de líquidos e alimentos com poder divino. |
Multiplicação dos pães e peixes | Alimenta multidões com pouca comida (Mt 14:13-21; Mc 6:30-44) | Buda: relatos apócrifos narram multiplicações para alimentar discípulos. Krishna: oferece alimento infinito a seus devotos. |
Ressurreição de mortos | Lázaro, filha de Jairo, filho da viúva de Naim (Jo 11; Lc 7; Mc 5) | Asclépio (Grécia): curava e ressuscitava. Osíris (Egito): morto e ressuscitado por Ísis. Krishna: em alguns textos, reverte mortes. |
Caminhar sobre as águas | Jesus anda sobre o mar (Mt 14:22-33) | Buda: lendas dizem que atravessava rios andando sobre a água. Lao Tsé e alguns taoístas: atribuída a certos mestres. |
Acalmar a tempestade | Ordena ao vento que pare (Mc 4:35-41) | Poseidon (Grécia): controlava os mares e as tempestades. Índra (Hinduísmo): regente das chuvas e trovões. |
Cura de cegos, mudos, surdos e leprosos | Diversos casos nos evangelhos | Apolo (Grécia): deus da cura. Buda: relatos de curas em textos budistas. Imhotep (Egito): sacerdote curador divinizado. |
Expulsar demônios | Como o caso do endemoninhado gadareno (Mc 5) | Zoroastro: combatia espíritos malignos com o verbo sagrado. Shiva: destruidor de forças demoníacas no Hinduísmo. |
Cura à distância | Cura do servo do centurião (Mt 8:5-13) | Pítia (Oráculo de Delfos): realizava curas à distância com orientação de Apolo. Krishna: curas e bênçãos sem presença física. |
Ressurreição de si mesmo | Jesus retorna após três dias (Mt 28) | Osíris, Tammuz, Dionísio, Krishna, Mitra: todos associados à morte e renascimento como arquétipos do ciclo vital. |
Andar por portas fechadas / bilocação | Após a ressurreição (Jo 20:19-29) | Padre Pio, Apóstolo Filipe (apócrifo): bilocação mística. Krishna e Shiva: presentes em múltiplos lugares ao mesmo tempo. |
Exorcismo coletivo | Legião de demônios expulsa para porcos (Lc 8:26-39) | Zoroastro, Buda, Jesus no evangelho de Tomé (versão gnóstica) também aparecem como exorcistas de forças mentais e espirituais. |
Cura de paralisados | Ex: paralítico em Cafarnaum (Mc 2:1-12) | Esculápio (Grécia): deus da medicina. Índra e Vishnu: intercedem por curas físicas em textos védicos. |
Ressurreição coletiva (Mateus 27:52) | Mortos saem dos túmulos após a crucificação | Osíris: governava os mortos que voltariam à vida. Ezequiel (Ez 37): visão do vale de ossos secos ganhando vida. |
E no comparativo de datas é possível enxergar a absorção de mitologias ainda mais antigas:
Nome / Divindade | Origem / Período | Contexto Histórico | Relação Temporal com Jesus (c. 4 a.C. – 30 d.C.) |
Jesus de Nazaré | ~4 a.C. a 30 d.C. | Judeia romana | Referência central do Cristianismo. |
Dionísio (Baco) | c. 1500 a.C. (Minoica) – culto ativo até 400 d.C. | Grécia, Roma | Muito anterior a Jesus; culto ainda ativo no período romano. |
Osíris | c. 2500 a.C. (Império Antigo) | Egito | Cultuado milênios antes de Jesus; influência via mistérios egípcios e helenismo. |
Krishna | Textos datam c. 1500–500 a.C. (Mahabharata); culto até hoje | Índia védica | Séculos antes de Jesus; alguns paralelos atribuídos por correntes esotéricas. |
Buda (Siddhartha Gautama) | c. 563–483 a.C. | Índia | Quase 500 anos antes de Jesus; ensinamentos ecoam em práticas ascéticas e de compaixão. |
Zoroastro (Zaratustra) | c. 1000–600 a.C. (data debatida) | Pérsia | Influenciou dualismo judaico e apocaliptismo; muito antes de Jesus. |
Asclépio (Esculápio) | Culto entre c. 1200 a.C. – 300 d.C. | Grécia e Roma | Deus da medicina; paralelo direto nas curas; contemporâneo ao culto de Jesus. |
Índra | c. 1500 a.C. (Rig Veda) | Índia védica | Deus do trovão e tempestades; paralelos simbólicos e mitológicos. |
Apolo | Culto desde c. 1200 a.C. até o século IV d.C. | Grécia e Roma | Deus solar, da cura, da profecia; culto ainda vivo no tempo de Jesus. |
Mitra (Mithra) | Pérsia (c. 1400 a.C.); Mitraísmo romano c. 100 a.C. – 300 d.C. | Pérsia, Roma | Figura com paralelos impressionantes com Jesus; culto contemporâneo. |
Tammuz / Dumuzi | Suméria / Babilônia, c. 2000 a.C. | Mesopotâmia | Deus morto e ressuscitado; milênios antes de Jesus. |
Hermes Trismegisto | Sincretismo grego-egípcio (c. 300 a.C. – 300 d.C.) | Egito helenístico | Conceito filosófico; influência hermética contemporânea a Jesus. |
Imhotep (deificado) | Viveu c. 2600 a.C. – culto até 400 d.C. | Egito | Sacerdote e curador divinizado; cultuado até o Império Romano. |
Lao Tsé | c. século VI a.C. (tradicionalmente) | China | Fundador do Taoísmo; pensamento anterior a Jesus. |
CONCLUSÃO
Ao longo da análise, é possível observar com evidência que a construção do cristianismo não ocorreu apenas em um vácuo cultural ou espiritual, mas na verdade emergiu do sincretismo milenar de mitos, rituais, práticas, conceitos e ética religiosa anteriores que foram surrupiados e adaptados através de reinterpretação.
Seja o novo ou antigo testamento há um entrelaçamento com longas linhagens de tradições antigas e relevantes, não havendo algo que seja singular, particular ou exclusivo da fé cristã, mas na verdade uma recomposição daquilo que já existiu, sendo travestidos de novidade por interesses políticos, nada que correlacione a sustentação de uma revelação isolada ou recebimento original genuíno, é apenas a apropriação e a reinvenção de símbolos e personagens, de dogmatismo e teologia, complexos e estruturados anteriormente.
A desmistificação de uma religião através de um estudo comparado evidencia-se a continuidade do passado pagão, nutrido pelas fontes ancestrais, ainda que o paganismo tenha sofrido descaracterização e supressão ao longo dos anos o próprio cristianismo o manteve vivo e latente, principalmente pelas datas comemorativas e rituais que também foram usurpados:
DATA | ORIGEM PAGÃ / CULTURAL | SIGNIFICADO CRISTÃO |
1º de janeiro | Festival de Janus (deus romano dos começos e transições) | Início do ano civil, sob benção divina / Circuncisão de Jesus (liturgia tradicional) |
2 de fevereiro | Festa da deusa Brigid (celta); purificação da luz | Candelária: Apresentação de Jesus no Templo e purificação de Maria |
14 de fevereiro | Lupercalia (Roma) – fertilidade e sexualidade | Dia de São Valentim – padroeiro dos apaixonados |
março – abril (data móvel) | Equinócio da primavera; cultos de Eostre, Ísis, Inanna | Páscoa – Ressurreição de Jesus |
março – abril (6ª feira antes da Páscoa) | Abstinência ritual pagã; jejuns de transição | Sexta-feira Santa – morte de Cristo |
março – abril (domingo antes da Páscoa) | Entrada cerimonial de deuses/reis | Domingo de Ramos – entrada de Jesus em Jerusalém |
março – abril (40 dias antes da Páscoa) | Rituais antigos de purificação | Quaresma – penitência e preparação para a Páscoa |
março – abril (data móvel) | Períodos de colheita, primavera, luz | Pentecostes – descida do Espírito Santo |
mês de maio | Festas da fertilidade e da Deusa Mãe (Grécia, Roma, Celta) | Mês de Maria – exaltação da Mãe de Jesus |
24 de junho | Solstício de verão (hemisfério norte); fertilidade | Natividade de São João Batista |
15 de agosto | Cultos antigos de deusas celestes (Ísis, Cibele) | Assunção de Maria |
29 de setembro | Festival de outono, transição de estações | São Miguel Arcanjo (combate espiritual) |
31 de outubro a 2 de novembro | Samhain celta – fim do ano pagão, culto aos mortos | Halloween, Dia de Todos os Santos (1/11), Dia de Finados (2/11) |
25 de dezembro | Sol Invictus, nascimento de Mitra, Saturnália | Natal – nascimento de Jesus |
31 de dezembro | Festa de Janus; fechamento de ciclo solar | Véspera de Ano-Novo / São Silvestre |
ELEMENTO | ORIGEM PAGÃ / SIMBÓLICA | SIGNIFICADO CRISTÃO |
Batismo com água | Purificações rituais em Egito, Índia, Roma, Israel | Iniciação cristã |
Cruz | Cruz solar e cósmica (egípcia, céltica, hindu) | Símbolo da morte/redentora de Jesus |
Pão e vinho | Oferendas agrícolas a deuses (Dionísio, Deméter) | Eucaristia (Corpo e Sangue de Cristo) |
Domingo (dia do Sol) | Culto ao Sol Invictus; "Sunday" | Dia da ressurreição / culto cristão |
Ovos e coelhos da Páscoa | Fertilidade (Eostre, primavera) | Associados ao renascimento de Cristo |
Velas e incenso | Rituais em templos egípcios, hindus e gregos | Liturgia, simbolismo da luz divina |
Altares, vestes e mitras | Elementos sacerdotais de cultos antigos | Liturgia cristã (padres, bispos, papa) |
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Israel Finkelstein & Neil Asher Silberman – "A Bíblia Não Tinha Razão"
William G. Dever – "Did God Have a Wife?", "Beyond the Texts"
Thomas L. Thompson – "The Mythic Past"
John Van Seters – "Abraham in History and Tradition"
Richard Elliott Friedman – "Who Wrote the Bible?"
James D. Tabor – “The Jesus Dynasty”
Bart D. Ehrman – "Did Jesus Exist?", "Misquoting Jesus", "Jesus Before the Gospels"
Reza Aslan – "Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth"
John Dominic Crossan – “The Historical Jesus”, Jesus Seminar
E. P. Sanders – "The Historical Figure of Jesus"
Finkelstein & Silberman (artigos)
Donald Redford (artigos)
William Ryan & Walter Pitman (artigos)
Livro de Enoque
Livro dos Jubileus
Midrash Rabbah
Talmude Babilônico e de Jerusalém
Mishná e Tosefta
Zohar (mística cabalística, séc. XIII)
Aleister Crowley (diversos)
Helena Blavatsky (diversos)
Franz Bardon (diversos)
Corpus Hermeticum
Chave de Salomão



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